Quem ocupará o meu lugar depois da minha morte?
Sei bem que a cruel cinza das horas me não perdoará...
E aí, alguém ocupará o lugar destes olhos já mortos e de ninguém!
Aí já não existe nada!Nem pai,nem mãe,nem mesmo o próprio nada!
Paro então para ouvir o silêncio cantar,
pararei para escutar o nada em que vou mergulhando calmamente.
A consciência também cessou.
Será isto o absoluto?
Será este o único estado de ausência de mim mesma?
Será certo não encontrar as respostas, que bóiam mortas num lago fantasioso e distante.
Agora nada.
Que liberdade?
Que futuro?
Que deriva constante, essa que me leva á insatisfação permanente
que é a de ver surgir um caminho que vejo sempre errado,
que é a de julgar muito pouco a tudo e a todas as coisas.
Faltar-me-à força para a busca de mim mesma?
Mais não faço que pesquisar em mim mesma e não encontrar ninguém...
Porta
Tento fechar essa porta
e trancá-la para sempre,
ver a luz num só repente
suspirar e te ignorar.
Não quero mais ver do outro lado,
não mais quero ver a tua imagem,
faço em mim uma viagem,
uma viragem no meu ser.
De futuro apenas eu! E em ti nada mais importa...
digo adeus a esse céu e fecho definitivamente aquela porta!
Espelho
Essa imagem que rejeito
esse corpo que recuso ver,
essas marcas que me mostras,
és tudo o que eu quero esquecer.
Temo de longe o longo tempo em que eras céu reflexo em mim,
em que eras mar no firmamento,
doce aroma de jasmim.
Flor de encanto, de cor azul,
luz cadente, sol, luar
mel e pluma num só tempo, num só gesto para amar.
Mas num repente tudo muda, num suspiro,
numa sombra que surgiu
sobre um ser a quem o canto, o silêncio lhe aplaudiu.
Então tempo vida e mundo
todos, tudo então morreu.
Então tempo lá no fundo todos vivem menos eu.
O que te move e o que me move?
O que nos faz então fazer...fazer parte de um mundo onde não escolhi viver?!!!
Friday, April 13, 2007
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